O Março Azul-Marinho é uma campanha de conscientização e prevenção do câncer colorretal, o terceiro tipo de neoplasia mais comum no Brasil.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a estimativa é de 44 mil novos casos no país, com expectativa de chegar a 80 mil casos/ano em apenas cinco anos.
A alimentação é um importante fator para o desenvolvimento do câncer colorretal. Aliás, você sabia que a carne vermelha e processada aumentam o risco para a doença? Veja abaixo o que diz estudos de revisão sistemática têm mostrado nos últimos anos
Mas o que é uma revisão sistemática?
Como o próprio nome indica, se trata de um estudo no qual os autores revisam os artigos publicados sobre um determinado tema de maneira imparcial e a partir de critérios bem definidos, tornando este o tipo de pesquisa com o maior nível de evidência científica existente.
E antes de prosseguir, também vale lembrar que as carnes vermelhas se referem a qualquer corte de boi, porco, cordeiro, carneiro ou cabrito.
Já as processadas são aquelas formuladas pela indústria a partir da mistura de diversos tipos de carne com substâncias alimentares e aditivos, como salsicha, linguiça, salame, mortadela e presunto, por exemplo.
Agora sim! Vamos ver os resultados de algumas dessas revisões?
ESTUDO 1 – Schwingshackl et al. (2018)
Os autores mostraram um aumento no risco para o desenvolvimento de câncer colorretal de 12% para o consumo de cada 100 g/dia de carne vermelha, e um risco 17% maior para cada 50 g/dia de carnes processadas

ESTUDO 2 – Farvid et al. (2021)
Em um estudo semelhante, os autores identificaram um aumento no risco para a doença de 14% para o consumo de cada 100 g/dia de carne vermelha, e de 16% para cada 50 g/dia de carne processada
Isso significa que uma pessoa que comia 200 g/dia de carne (~2 bifes médios) em relação a alguém que comia 100 g teve um risco 14% maior de desenvolver este tipo de câncer

O mesmo vale para a carne processada. Quem comia 150 g/dia desse alimento (3 gomos de linguiça, por exemplo) teve um risco 56% maior de desenvolver câncer colorretal quando comparado a quem não comia
ESTUDO 3 – Parra-Soto et al. (2022)
Já nesta revisão, os autores investigaram diferentes tipos de dieta (onívora, apenas com carne branca, pescetariana e vegetariana/vegana) e sua associação com o desenvolvimento de câncer colorretal.
Em relação aos onívoros, ou seja, quem comia todos os tipos de carne, incluindo a vermelha e processada, os pescetarianos, que comiam apenas peixe, tiveram um risco 24% menor de ter a doença.
Esses estudos indicam que limitar o consumo de carne é uma medida importante para a redução do risco de câncer colorretal
De acordo com o Fundo Mundial para Pesquisa em Câncer (WCRF), a ingestão máxima de carne vermelha e processada deve ser de 500 g/semana (~71 g/dia), devendo esta última ser consumida na menor quantidade possível